quinta-feira, 17 de julho de 2014

Gastronomia esquecida no Festival de Inverno de Garanhuns

Começando nesta quinta-feira no Agreste do estado, mais uma edição do Festival de Inverno de Garanhuns. Apesar de ser propagado como o encontro de todas as expressões culturais do estado, o festival tem apenas uma atividade relacionada à gastronomia em seus dez dias de programação. Uma oficina sobre plantas que curam e alimentam será realizada no Quilombo Estivas no dia 22. Os palestrantes serão um representante da Fundação Osvaldo Cruz e um do Ministério da Cultura.
A convocatória do evento, lançada em março deste ano, informava que sobre gastronomia poderiam ser propostas oficinas, workshops, minicursos, ciclos de debates, palestras e vivências criativas. Ao que tudo indica, não houve mais propostas, ou as demais que foram enviadas não atenderam aos critérios da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, a Fundarpe, responsável pela programação do festival de inverno, em parceria com a Prefeitura de Garanhuns.
Também não houve esforços dos organizadores para incluir a Gastronomia no festival com iniciativas próprias - pelo menos a partir da programação divulgada até hoje, dia de início do evento.
Em um dos maiores eventos culturais do estado e da região nordeste, ninguém parece estar sentindo falta da gastronomia enquanto cultura, patrimônio e arte. Um alerta a todos os que defendem a valorização e patrimonialização da cozinha pernambucana. A gastronomia não tem representatividade na Fundarpe e sofre com a presença tímida de seus representantes nos fóruns que discutem os caminhos para o setor na cultura local. A ausência de atividades em torno da Gastronomia no FIG é somente um reflexo dessa falta de espaços para discuti-la e promovê-la no nível em que ela merece. Assim continuaremos a ter belas fotos de pratos pernambucanos ilustrando os ainda mais belos materiais turísticos sobre o estado. E só.